Decepção é como uma grande ferida
Que consome o braço inteiro,
Uma ferida aberta
De alívio inexistente;
Eu não sou ela,
Aquela pessoa,
Porém não desista
E não tente conter com trapos finos;
Trapos finos irão encharcar,
Trapos finos penetram e fazem doer,
Enganam a imagem,
Nos fazem desistir
E a dor não é menor
Trapos finos escondem,
Trapos finos atrasam
E viver só para trapos finos
O melhor é não viver!
Não!
Não desista, não esqueça,
Exponha a ferida profunda, nua e crua,
Ao remédio ardente;
Permita-se arder,
Doer e chore,
Chore mais um pouco e olhe,
Sarou!
Você fala:
Nossa, mas que ideia comum;
Já sarou
Ou voltou a abri-la?
Espere mais um pouco...
...Olhe para cima, para frente
E perceba a luz incandescente, próxima de
um passo.
Veja, ela lhe estende a mão.
Não hesite, vá, VÁ!
Segure rápido;
Seja arrancado,
Se possível, segure com a mão machucada;
Não fale nada,
Não é preciso falar,
SIMPLESMENTE olhe e entenda;
Na sua mente ela fala;
Desculpe-me!
Desculpe-me!
Perdoe-me!
Perdoe-me!
Eu corri,
Vim o mais rápido que pude
E o mais rápido que pude eu vim;
Ah! Que alívio, você não deixou-se
esquecer;
Cale-a
Não a permita falar mais,
Não a deixe macular esse momento
De primitiva alegria, alegria infantil;
Talvez seja ela
Que, por ti, buscará o remédio ardente,
Talvez ela passará na ferida, fará doer,
Talvez ela irá abri-la e se
desencontrará;
PARE!
Ela é ela,
Nenhuma outra é ela,
ELA JÁ EXISTE!
Corra,
Arranque-se,
Pule e machuque-se na queda,
Mas segure-a; Chore, você pode;
Deixe para trás,
Não importa mais,
Não olhe, não lembre-se, a ferida,
Ela já não importa mais;
Não a permita olhar para a dela,
Estas não importam mais,
O tesouro já foi encontrado
O abraço já foi entregado;
Aproveite,
Entenda e deixe-se entender,
Beije,
Chore,
Ah! Veja,
Ainda está lá,
Olhou e não olhou?
Oh! Entendo, não importa mais
Alegre-se,
Viva,
Fique vulnerável,
Viva;
Mas olhe,
Ainda está lá;
Onde está?
Onde está a cicatriz?
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