segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Esperança

Beleza interior
E diferença exterior;
Grite se não pode falar,
Fale e exponha tudo,
Por fim, embaralhe e não se contenha.

Espere algo do outro;
Olhe para si e para fora
E se perca em seus labirintos,
Julgue-se, chore, é apenas o que pode fazer.

Tente falar novamente.
Esperança sem o “des”;
Grite, porém, agora, para dentro;
Decepcione o outro,
Julgue-se mais e cada vez mais.

Só tu possuis isso,
Só tu vês o que consegue ver,
Só tu pensas assim, assim! Só tu;
Espere a opinião do outro
Acabar com tu aos poucos.

Assuma a existência do seu desespero,
Assuma a exigência do seu desespero
E o permita acontecer,
Concretize-o.

Viva seu interior,
Mas crie uma máscara para visões interesseiras.

Faça, faça, faça de novo,
Faça outra vez;
Seja radical nas opiniões,
Arrependa-se, engane-se, domestique-se
E se alegre por um momento.

Lembre-se, deteriore-se,
Saiba o que vai acontecer
E espere acontecer;
Esperança com o “des”.
Chore, está na hora de procurar,
Ela, aquela mesmo,
A droga da alegria,
A droga!

Esqueça tudo isso,
Porém repita o inevitável,
O interior.


Esperança!

quarta-feira, 23 de março de 2016

Trapos Finos.

Decepção é como uma grande ferida
Que consome o braço inteiro,
Uma ferida aberta
De alívio inexistente;

Eu não sou ela,
Aquela pessoa,
Porém não desista
E não tente conter com trapos finos;

Trapos finos irão encharcar,
Trapos finos penetram e fazem doer,
Enganam a imagem,
Nos fazem desistir
E a dor não é menor

Trapos finos escondem,
Trapos finos atrasam
E viver só para trapos finos
O melhor é não viver!

Não!
Não desista, não esqueça,
Exponha a ferida profunda, nua e crua,
Ao remédio ardente;

Permita-se arder,
Doer e chore,
Chore mais um pouco e olhe,
Sarou!

Você fala:
Nossa, mas que ideia comum;
Já sarou
Ou voltou a abri-la?

Espere mais um pouco...
...Olhe para cima, para frente
E perceba a luz incandescente, próxima de um passo.
Veja, ela lhe estende a mão.

Não hesite, vá, VÁ!
Segure rápido;
Seja arrancado,
Se possível, segure com a mão machucada;

Não fale nada,
Não é preciso falar,
SIMPLESMENTE olhe e entenda;
Na sua mente ela fala;

Desculpe-me!
Desculpe-me!
Perdoe-me!
Perdoe-me!

Eu corri,
Vim o mais rápido que pude
E o mais rápido que pude eu vim;
Ah! Que alívio, você não deixou-se esquecer;

Cale-a
Não a permita falar mais,
Não a deixe macular esse momento
De primitiva alegria, alegria infantil;

Talvez seja ela
Que, por ti, buscará o remédio ardente,
Talvez ela passará na ferida, fará doer,
Talvez ela irá abri-la e se desencontrará;

PARE!
Ela é ela,
Nenhuma outra é ela,
ELA JÁ EXISTE!

Corra,
Arranque-se,
Pule e machuque-se na queda,
Mas segure-a; Chore, você pode;

Deixe para trás,
Não importa mais,
Não olhe, não lembre-se, a ferida,
Ela já não importa mais;

Não a permita olhar para a dela,
Estas não importam mais,
O tesouro já foi encontrado
O abraço já foi entregado;

Aproveite,
Entenda e deixe-se entender,
Beije,
Chore,


Ah! Veja,
Ainda está lá,
Olhou e não olhou?
Oh! Entendo, não importa mais


Alegre-se,
Viva,
Fique vulnerável,
Viva;


Mas olhe,
Ainda está lá;
Onde está?
Onde está a cicatriz?



segunda-feira, 21 de março de 2016

Escritor

Escrever não é apenas uma arte,
é uma necessidade,
uma válvula de escape
e um passeio por minha mente.

Escrever é registrar,
é colocar o que não consigo falar em uma página,
é driblar minha memória falha
e aprender quem eu sou de verdade.

Escrever é amar,
é colocar tudo de mim nas mãos de alguém,
é aprender a recomeçar e buscar a satisfação na escrita
que um reconhecimento proporciona.

Escrever é representar a alma do Escritor,
é mostrar os dois lados da moeda,
é mostrar que sou o dia e sou a noite
e que existe algo além de teclas ou papeis.

Escrever não é apenas uma arte.
Escrever é registrar.
Escrever é amar.
Escrever é representar a alma do Escritor




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Jardim turbulento

Pessoas são como flores
Delicadas e belas
Mas também são o joio
Danosos e inesperados

Ò bela flor tão rara nessa noite de verão
Sufocada por essas daninhas que lhe invejam
Como um fogo com sede de combustível
Sobre a mais frágil floresta

Não temeis
Estou aqui por ti
Protegerei aquilo que há de melhor em mim
Você

Pelo meu próprio punho lutarei
Mas percebi que lutava contra espinhos
Que não vinham do joio
E sim de ti

Percebi que mesmo aquilo que considero mais amável me machuca
Talvez não consegui lhe cultivei da melhor forma
No entanto sei que fiz o melhor que pude
Mas percebo que é hora da colheita

Minhas mão desprotegidas a recolhe
Uma lágrima escorre em meu rosto
Com minhas unhas retiro esses espinhos

E no final eu lhe entrego ao mundo
Flor mais bela
Cultivada nesse jardim turbulento que chamo de coração.