quarta-feira, 23 de março de 2016

Trapos Finos.

Decepção é como uma grande ferida
Que consome o braço inteiro,
Uma ferida aberta
De alívio inexistente;

Eu não sou ela,
Aquela pessoa,
Porém não desista
E não tente conter com trapos finos;

Trapos finos irão encharcar,
Trapos finos penetram e fazem doer,
Enganam a imagem,
Nos fazem desistir
E a dor não é menor

Trapos finos escondem,
Trapos finos atrasam
E viver só para trapos finos
O melhor é não viver!

Não!
Não desista, não esqueça,
Exponha a ferida profunda, nua e crua,
Ao remédio ardente;

Permita-se arder,
Doer e chore,
Chore mais um pouco e olhe,
Sarou!

Você fala:
Nossa, mas que ideia comum;
Já sarou
Ou voltou a abri-la?

Espere mais um pouco...
...Olhe para cima, para frente
E perceba a luz incandescente, próxima de um passo.
Veja, ela lhe estende a mão.

Não hesite, vá, VÁ!
Segure rápido;
Seja arrancado,
Se possível, segure com a mão machucada;

Não fale nada,
Não é preciso falar,
SIMPLESMENTE olhe e entenda;
Na sua mente ela fala;

Desculpe-me!
Desculpe-me!
Perdoe-me!
Perdoe-me!

Eu corri,
Vim o mais rápido que pude
E o mais rápido que pude eu vim;
Ah! Que alívio, você não deixou-se esquecer;

Cale-a
Não a permita falar mais,
Não a deixe macular esse momento
De primitiva alegria, alegria infantil;

Talvez seja ela
Que, por ti, buscará o remédio ardente,
Talvez ela passará na ferida, fará doer,
Talvez ela irá abri-la e se desencontrará;

PARE!
Ela é ela,
Nenhuma outra é ela,
ELA JÁ EXISTE!

Corra,
Arranque-se,
Pule e machuque-se na queda,
Mas segure-a; Chore, você pode;

Deixe para trás,
Não importa mais,
Não olhe, não lembre-se, a ferida,
Ela já não importa mais;

Não a permita olhar para a dela,
Estas não importam mais,
O tesouro já foi encontrado
O abraço já foi entregado;

Aproveite,
Entenda e deixe-se entender,
Beije,
Chore,


Ah! Veja,
Ainda está lá,
Olhou e não olhou?
Oh! Entendo, não importa mais


Alegre-se,
Viva,
Fique vulnerável,
Viva;


Mas olhe,
Ainda está lá;
Onde está?
Onde está a cicatriz?



segunda-feira, 21 de março de 2016

Escritor

Escrever não é apenas uma arte,
é uma necessidade,
uma válvula de escape
e um passeio por minha mente.

Escrever é registrar,
é colocar o que não consigo falar em uma página,
é driblar minha memória falha
e aprender quem eu sou de verdade.

Escrever é amar,
é colocar tudo de mim nas mãos de alguém,
é aprender a recomeçar e buscar a satisfação na escrita
que um reconhecimento proporciona.

Escrever é representar a alma do Escritor,
é mostrar os dois lados da moeda,
é mostrar que sou o dia e sou a noite
e que existe algo além de teclas ou papeis.

Escrever não é apenas uma arte.
Escrever é registrar.
Escrever é amar.
Escrever é representar a alma do Escritor