domingo, 10 de setembro de 2017

Escravo do crescer

Oi
Tudo bem com você, carinha?
Posso te perguntar uma coisa?
Me responda com sinceridade, ta certo?

Será que você iria entender?
Será que minhas palavras seriam suficientes?
Te fariam ver a verdade que eu quero te passar?
Será que você concordaria com aquilo que eu me tornei?

Você, assim, tão pequeno ainda
Tão vivo, tão livre
Voraz e sonhador
E ainda cheio de magia na ponta dos dedos

É uma vergonha, sabia?
Eu me sinto completamente envergonhado
De ter te deixado pra trás
Ter te abandonado, abandonado à nós

De não ter forças para mais fazer brilhar
De ter abandonado nossos sonhos por uma confusa confusão
De não conseguir mais ignorar os empecilhos
De ter crescido e começado a me conformar

De ter mentido para você
Prometendo sempre agir como o valente herói
Que não se deixa levar pelas ondas fracas ou fortes
E que mesmo crescendo, sempre iria continuar acreditando

De agora machucar os outros como eles machucam
De falar como eles falam
De pensar como eles pensam
De se preocupar como eles se preocupam

De ter raiva como eles tem
De ignorar como eles ignoram
De não brincar como eles não brincam
De não se importar mais com o que é importante como eles não se importam mais com o que é Importante

De ter que escolher o que é responsável ao o que eu quero
De ver os amigos, que antes alegres, agora se entristecendo
De ter que mentir para os outros e para si mesmo
De não se empolgar mais com o imaginar ou o simples falar

De não conseguir ver mais castelos e florestas
Agora, sendo eles apenas casas brancas e algumas árvores espalhadas no jardim
De não ver o errado
De ser inocente

De ver que a destruição do mundo é realmente uma catástrofe
De ver como o ser humano pode ser realmente desprezível
De ver que o mal realmente existe
E que você precisará combatê-lo todos os dias daqui pra frente

De não buscar o inalcançável
De não mais observar todos com grande positividade
De não mais fazer com que cada momento fosse especial
Fosse alegre

Eu não tinha ideia disso, sabia?
Que um simples almoço com a família
Era comparável àquelas memoráveis cenas de filmes de comédia
Onde você sorri sem parar até perder o fôlego, e depois sorri mais

Se tivesse como te contar, será que você entenderia tudo isso e muito mais?
Será que você me perdoaria por ter te esquecido
Propositalmente?




Mas não mais

Mas não mais


Ah, lembro-me como se fosse ontem
Eu era jovem, alegre e forte
Amigos? Esses eram abundantes
A vida parecia tão bela

Mas não mais

Ah, lembro-me como se fosse o alvorecer
Eu era maduro
Estava em meus anos dourados
A vida parecia tão bela

Mas não mais

Como pude tropeçar?
Onde estou agora?
Ainda resta esperança?

A humanidade possui uma enorme força
Esperança é o seu nome, ela apenas se perde quando a essência humana se esvai
E isso caberia a todos, incluindo a mim,

Mas não mais.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Esperança

Beleza interior
E diferença exterior;
Grite se não pode falar,
Fale e exponha tudo,
Por fim, embaralhe e não se contenha.

Espere algo do outro;
Olhe para si e para fora
E se perca em seus labirintos,
Julgue-se, chore, é apenas o que pode fazer.

Tente falar novamente.
Esperança sem o “des”;
Grite, porém, agora, para dentro;
Decepcione o outro,
Julgue-se mais e cada vez mais.

Só tu possuis isso,
Só tu vês o que consegue ver,
Só tu pensas assim, assim! Só tu;
Espere a opinião do outro
Acabar com tu aos poucos.

Assuma a existência do seu desespero,
Assuma a exigência do seu desespero
E o permita acontecer,
Concretize-o.

Viva seu interior,
Mas crie uma máscara para visões interesseiras.

Faça, faça, faça de novo,
Faça outra vez;
Seja radical nas opiniões,
Arrependa-se, engane-se, domestique-se
E se alegre por um momento.

Lembre-se, deteriore-se,
Saiba o que vai acontecer
E espere acontecer;
Esperança com o “des”.
Chore, está na hora de procurar,
Ela, aquela mesmo,
A droga da alegria,
A droga!

Esqueça tudo isso,
Porém repita o inevitável,
O interior.


Esperança!

quarta-feira, 23 de março de 2016

Trapos Finos.

Decepção é como uma grande ferida
Que consome o braço inteiro,
Uma ferida aberta
De alívio inexistente;

Eu não sou ela,
Aquela pessoa,
Porém não desista
E não tente conter com trapos finos;

Trapos finos irão encharcar,
Trapos finos penetram e fazem doer,
Enganam a imagem,
Nos fazem desistir
E a dor não é menor

Trapos finos escondem,
Trapos finos atrasam
E viver só para trapos finos
O melhor é não viver!

Não!
Não desista, não esqueça,
Exponha a ferida profunda, nua e crua,
Ao remédio ardente;

Permita-se arder,
Doer e chore,
Chore mais um pouco e olhe,
Sarou!

Você fala:
Nossa, mas que ideia comum;
Já sarou
Ou voltou a abri-la?

Espere mais um pouco...
...Olhe para cima, para frente
E perceba a luz incandescente, próxima de um passo.
Veja, ela lhe estende a mão.

Não hesite, vá, VÁ!
Segure rápido;
Seja arrancado,
Se possível, segure com a mão machucada;

Não fale nada,
Não é preciso falar,
SIMPLESMENTE olhe e entenda;
Na sua mente ela fala;

Desculpe-me!
Desculpe-me!
Perdoe-me!
Perdoe-me!

Eu corri,
Vim o mais rápido que pude
E o mais rápido que pude eu vim;
Ah! Que alívio, você não deixou-se esquecer;

Cale-a
Não a permita falar mais,
Não a deixe macular esse momento
De primitiva alegria, alegria infantil;

Talvez seja ela
Que, por ti, buscará o remédio ardente,
Talvez ela passará na ferida, fará doer,
Talvez ela irá abri-la e se desencontrará;

PARE!
Ela é ela,
Nenhuma outra é ela,
ELA JÁ EXISTE!

Corra,
Arranque-se,
Pule e machuque-se na queda,
Mas segure-a; Chore, você pode;

Deixe para trás,
Não importa mais,
Não olhe, não lembre-se, a ferida,
Ela já não importa mais;

Não a permita olhar para a dela,
Estas não importam mais,
O tesouro já foi encontrado
O abraço já foi entregado;

Aproveite,
Entenda e deixe-se entender,
Beije,
Chore,


Ah! Veja,
Ainda está lá,
Olhou e não olhou?
Oh! Entendo, não importa mais


Alegre-se,
Viva,
Fique vulnerável,
Viva;


Mas olhe,
Ainda está lá;
Onde está?
Onde está a cicatriz?



segunda-feira, 21 de março de 2016

Escritor

Escrever não é apenas uma arte,
é uma necessidade,
uma válvula de escape
e um passeio por minha mente.

Escrever é registrar,
é colocar o que não consigo falar em uma página,
é driblar minha memória falha
e aprender quem eu sou de verdade.

Escrever é amar,
é colocar tudo de mim nas mãos de alguém,
é aprender a recomeçar e buscar a satisfação na escrita
que um reconhecimento proporciona.

Escrever é representar a alma do Escritor,
é mostrar os dois lados da moeda,
é mostrar que sou o dia e sou a noite
e que existe algo além de teclas ou papeis.

Escrever não é apenas uma arte.
Escrever é registrar.
Escrever é amar.
Escrever é representar a alma do Escritor




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Jardim turbulento

Pessoas são como flores
Delicadas e belas
Mas também são o joio
Danosos e inesperados

Ò bela flor tão rara nessa noite de verão
Sufocada por essas daninhas que lhe invejam
Como um fogo com sede de combustível
Sobre a mais frágil floresta

Não temeis
Estou aqui por ti
Protegerei aquilo que há de melhor em mim
Você

Pelo meu próprio punho lutarei
Mas percebi que lutava contra espinhos
Que não vinham do joio
E sim de ti

Percebi que mesmo aquilo que considero mais amável me machuca
Talvez não consegui lhe cultivei da melhor forma
No entanto sei que fiz o melhor que pude
Mas percebo que é hora da colheita

Minhas mão desprotegidas a recolhe
Uma lágrima escorre em meu rosto
Com minhas unhas retiro esses espinhos

E no final eu lhe entrego ao mundo
Flor mais bela
Cultivada nesse jardim turbulento que chamo de coração.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Súplica

Oh meu senhor,
Venho humildemente lhe pedir
Que, se possível, me conceda o que lhe peço

Venho lhe pedir uma mente como a de um ancião,
Para que eu saiba diferenciar o certo e o errado
E que eu possa ter experiência para sobreviver

Quero também ter um coração como o de uma criança,
Para que meu amor seja o mais puro
E que meus sentimentos possam ser livres de segundas intenções

Quero braços de um lenhador,
Para que eu possa levar em meus braços minha amada
E que eu possa utiliza-los para ajudar meu irmão

Quero pernas de um corredor,
Para que eu possa ir tão longe quanto qualquer um já foi
E para que eu consiga levar minhas ações pelo mundo

Venho lhe suplicar senhor
Que meus sonhos se realizem
Não diretamente a mim

Mas para que quem eu amo possa ser feliz.