Em uma época onde dragões não eram ainda lendas, e os menestréis jamais
imaginariam em repetir suas canções, existia um grande e próspero reinado de um
valoroso rei, e junto a ele uma linda donzela a quem todos à entoavam rainha.
Em algum dia
de abril, este rei foi abençoado por um grande presente, o maior, e sempre na
sua vida este foi, e o melhor que sua esposa acabara de dar-lhe, esta havia
acabado de dar a luz a duas crianças, ambos os dois eram homens.
Aquela foi uma
época de desfrutantes prazeres no grande reinado, a presença de duas crianças
do castelão alegrava do pobre ao nobre, e seus sorrisos eram levados por
alegres movimentos dos ventos até às copas das sábias árvores que descansavam
nos leitosos rios e nas brandas pradarias, até o cume das velhas montanhas onde
sempre era inverno, e de lá ia novamente, em qualquer lugar aonde o vento
errante visitasse.
Muito tempo
havia passado e o valoroso rei havia se adoentado, cansado e muito velho; vendo
que próxima estaria a velha amiga de seus antepassados o rei mandou sua donzela
chamar os seus dois filhos. Ele rapidamente encurtou todo o melô que iria
permear aquele quarto, que tal reconhecia ser merecido, de seus filhos, e logo
falou o que durante um certo tempo ocupara demasiadamente todo o seu pensar, o
valoroso rei presenteou os dois com seu reinado, cada um iria possuir, logo
após o falecimento do pai, uma parte idêntica à outra do grande reinado. Menor
era mais o tempo quando o valoroso rei ordenou que construíssem um segundo
castelo, este ficaria no mais novo reinado em linha reta ao seu. Após a morte
do valoroso rei, os seus filhos, já bem mais velhos, subiram aos seus tronos.
O segundo
reino, sem hesitar, cresceu em fama e gloria por todas as terras, exploradas e
ermas, e todos os seres existentes souberam dos dois pequenos reinos que
descendera do grande reinado do valoroso rei.
A demora não
foi nem percebida quando começaram a se formar vilas e lugarejos nos arredores
do novo reino, e camponeses começaram suas famílias e comerciantes passaram a
ir e vir. Grande eram os reinados dos dois irmãos reis, tanta prosperidade acordou
a fauna e a flora, agora não existia uma manhã sequer que não podia ser
apreciada a cantoria dos pássaros ou uma tarde que um cão não bajula-se seu
dono, e as vacas davam jarras e mais jarras de leite, e os belos garanhões
comentavam sobre a última missão daqueles honrados cavaleiros; e rios agora saiam
dos seus refúgios profundos das arrogantes florestas, os primeiros se mostravam
atraídos pela luz que refletia em seu espelho aplano e aqueles que por
descenderem dos mais altos picos e assim possuírem uma corrente mais larga e
profunda, saiam de se pequenos braços que se alongavam e serpenteavam pradarias
e colinas para conseguir passar nos dois, agora grandes, reinados. E nesses
rios belas moças banhavam trapos velhos e panos amassados, e voando a suas
voltas iam lá pássaros da primavera que, como em um uníssono, contrastavam com
a cantoria das belas moças, também tagarelando se quisessem.
Grande era o
reinado dos dois irmãos. Assim, em algum dia de maio, os dois reis decidiram
fazer uma aposta.
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